Aqui você encontra informações sobre algumas das principais doenças em otorrinolaringologia, fique atento, ocorrendo sinais e sintomas semelhantes, procure seu médico otorrinolaringologista."
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Rinite Alérgica
Atualmente a rinite alérgica é considerada um problema de saúde global, cuja prevalência cresce continuamente.
Apenas nos últimos 30 anos, a quantidade de pessoas afetadas tem duplicado a cada período de 10 anos.
Estima-se que afete um terço da população mundial.
Embora não seja considerada uma doença grave, ela interfere na vida social das pessoas, pode diminuir o rendimento escolar das crianças e a produtividade no trabalho dos adultos.
Novos conhecimentos sobre os mecanismos da inflamação das vias aéreas de origem alérgica têm possibilitado melhorar métodos de avaliação e estratégias terapêuticas.
Doença inflamatória do tecido de revestimento do nariz ou mucosa nasal, que ocorre após reação entre um antígeno ou alérgeno e o anticorpo IgE, uma proteína da classe das imunoglobulinas, em pessoas cujos mastócitos presentes na submucosa nasal foram previamente sensibilizados, conforme mecanismo imune classificado como reação do tipo I de Gell & Coombs, também denominada de reação de hipersensibilidade imediata ou anafilaxia.
Em recente alteração promovida pelo projeto ARIA, a rinite alérgica pode ser classificada de acordo com o tempo de evolução em intermitente ou persistente.
Nos indivíduos com rinite alérgica persistente, a exposição a aeroalérgenos e poluentes varia durante o ano todo, com períodos de menor ou maior exposição. Eles interagem com um processo inflamatório crônico contínuo, caracterizando um conceito novo e importante denominado “inflamação mínima persistente”. Mesmo sem sintomas, estes doentes mantêm a inflamação nasal.
O diagnóstico é feito pela história clínica pessoal e familiar, exame físico e exames subsidiários. Prurido nasal e crises constantes de espirros, seguidos por coriza, inicialmente hialina, geralmente abundante e obstrução nasal são os sintomas mais freqüentes.
Prurido e hiperemia conjuntival além de prurido palatal são sintomas comumente associados.
Muitas patologias apresentam sintomatologia semelhante à da rinite alérgica: rinites não alérgicas, tumores, doenças granulomatosas, doenças morfofuncionais e doenças congênitas, etc. Cabe ao médico otorrinolaringologista fazer o diagnóstico diferencial e estipular o tratamento específico .
Tratamento da Rinite Alégica
Além do alívio dos sintomas, o tratamento deve ter por objetivo a recuperação morfofuncional do nariz. Para isso pode-se empregar mais de uma modalidade terapêutica:
- manejo ambiental;
- terapia medicamentosa;
- imunoterapia;
- disponibilização de material educativo.
Manejo ambiental
A proposta de medidas de controle ambiental objetiva tentar evitar o contato do paciente com os alérgenos, especialmente com os ácaros do pó doméstico, o que de certa forma pode ser conseguido, uma vez que eles podem ser encontrados no ambiente cotidiano das pessoas.
A efetividade dessas medidas foi atestada por estudos efetuados em ambientes “limpos”, geralmente locais situados a grandes altitudes e com clima seco.
Entretanto, uma higiene ambiental satisfatória é um desafio difícil de ser conseguido, além de que ainda não está totalmente clara qual a magnitude de redução no nível de alérgenos é necessária à redução de sintomas.
Mesmo assim, estas medidas são fortemente recomendadas, com a ressalva de que se necessita de mais pesquisa nessa área.
Provavelmente a atitude mais eficaz para o controle dos ácaros é a colocação de capas impermeáveis de proteção, específicas para esse fim, em travesseiros e colchões do quarto de dormir do paciente alérgico.
Outras medidas que podem ser adotadas:
- as roupas de cama devem ser lavadas pelo menos uma vez por semana, preferencialmente em água acima de 55 oC, letal aos ácaros;
- roupas que ficarem guardadas por tempo prolongado devem ser lavadas antes da temporada de uso;
- a substituição de tapetes e carpetes por piso de cerâmica, madeira ou vinil, que devem ser limpos com pano úmido ao invés de varridos com vassouras. Na impossibilidade de troca, revestir o piso de carpete com material plástico pode ser útil.
- a utilização de acaricidas pode ser eficiente;
- as cortinas devem ser substituídas por persianas e ter a mesma forma de higienização que as roupas de cama;
- os brinquedos de pelúcia e similares devem ser lavados semanalmente ou deixados num “freezer” por 24 h uma vez por semana;
- a utilização de aspiradores de pó com filtro HEPA (“High Efficiency Particulate Air”) pode reduzir o nível de ácaros ambientais, embora não existam estudos controlados que comprovem sua eficiência na redução de sintomas alérgicos.Aspiradores com filtros inadequados podem aumentar o nível de ácaros em suspensão durante seu uso;
- a diminuição do nível de umidade ambiental pode ser eficiente, uma vez que altos níveis de umidade são essenciais à sobrevivência dos ácaros, embora ainda não existam estudos conclusivos a esse respeito.
Além dos ácaros, cães e gatos podem desempenhar papel importante como sensibilizantes. Os alérgenos desses animais não são encontrados no pêlo, mas na saliva e no conteúdo das glândulas sebáceas da pele. Depois de ressecadas, essas secreções são pulverizadas em pequenas partículas (descamações) que podem ser lançadas ao ar, onde permanecem por longo tempo em suspensão.
A única medida eficiente neste caso é a eliminação do animal do ambiente, seguida por completa higienização dos tapetes, carpetes, cortinas, mobília, etc. No entanto, há estudos demonstrando que banhos freqüentes nos animais podem reduzir os níveis de alérgenos de forma estatisticamente significante, embora ainda não se demonstrou benefícios clínicos aos pacientes alérgicos com essa medida.
A infestação ambiental por baratas é uma importante causa de sensibilização alérgica, principalmente em apartamentos de conjuntos habitacionais e que sua eliminação, seguida por higienização de cada moradia, é um método de controle eficiente, embora ainda não existam dados que comprovem redução relevante dos sintomas da rinite alérgica.
Os pólens, alérgenos importantes na rinite intermitente, não serão analisados por praticamente não desempenharem papel relevante no Brasil.
Quanto aos fungos ambientais, uma importante causa de sensibilização alérgica, é racional supor que as medidas a serem adotadas devem ser similares às já descritas anteriormente contra os ácaros, aliadas à boa ventilação dos ambientes, embora ainda não existam estudos controlados que demonstrem os benefícios dessas medidas aos pacientes alérgicos.
Ainda há bastante discussão acerca da importância dos alérgenos alimentares nas alergias respiratórias, embora se suspeite que alergia ao leite possa provocar rinite alérgica. De qualquer forma ainda não existe nenhum estudo controlado que justifique qualquer medida de restrição alimentar a esses pacientes.
Terapia medicamentosa
Essa modalidade de tratamento, necessária para a maioria dos pacientes, pode utilizar vários tipos de medicamentos disponíveis atualmente, que, além de eficazes, podem ser utilizados por período prolongado sem qualquer tipo de efeito colateral.
Existem drogas com atuação local, ou tópica intranasal (corticosteróides, antihistamínicos, anticolinérgicos, descongestionantes) e sistêmica, por via oral ou intramuscular (antihistamínicos, corticosteróides, descongestionantes).
Nos casos de total bloqueio nasal, o uso de descongestionantes nasais tópicos com dorgas denominadas de vasoconstrictores é eficaz, mas é importante salientar que seu uso por mais de 10 dias consecutivos pode levar à rinite medicamentosa e o uso em crianças ou pessoas com problemas cardiovasculares esta contra-indicado .
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